domingo, dezembro 19

Vinicius de Moraes e Sonetos



  Soneto à Lua (Rio de Janeiro)

Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me  presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa

Ó minha branca e pequenina lua!





O soneto é uma composição poética constituída por 14 versos, distribuídos, segundo o modelo petrarquiano (também chamado "soneto italiano"), em 2 quadras e 2 tercetos, as primeiras apresentando duas ordens de rimas e estes últimos duas ou três ordens. O esquema rimático mais freqüente é:
a b b a / a b b a / c d c / c d c
Tudo leva a crer que o soneto foi criado no século XIII, pelas mãos do poeta siciliano Giacomo de Lentino, em Palermo.
O primeiro grande nome ligado ao soneto é o de Dante, devendo-se a outro mestre da poesia, Petrarca, a consolidação e a difusão do modelo.
Em Portugal, o soneto teve como seu primeiro cultor o poeta Sá de Miranda. Camões dedicou-se amplamente ao soneto, alcançando com ele alguns dos mais altos momentos da literatura universal de todos os tempos.
No Brasil seiscentista, Gregório de Matos empregou o soneto tanto para a lírica sacra e amorosa quanto para a satírica. Adiante, Cláudio Manuel da Costa firmou-se como sonetista de grande valor, ajudando a fortalecer uma tradição que daria nomes como Olavo Bilac e Cruz e Sousa, entre outros.
Num primeiro momento, os modernistas se voltaram contra o soneto, atitude inserida num amplo programa de ruptura com a "fôrma" das formas fixas e dos padrões poéticos tradicionais. No entanto, depois de instalado o verso livre e conquistadas tantas outras liberdades nos níveis da estruturação e do conteúdo, poetas como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade retornaram ao soneto.
Vinicius de Moraes consolidou-se como grande sonetista da moderna literatura brasileira e ajudou a popularizar a forma.
O soneto também pode ser estruturado em três quartetos e um dístico, sendo chamado então "soneto inglês".

Fonte: http://viniciusdemoraes.com.br/

8 comentários:

  1. Nossa Amiga Obrigado por dividir esta fantástica matéria!
    Abraços!

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  2. Oi, professor Renato! Eu é que agradeço sua companhia. Amo poesias, crônicas, versos, prosas, sonetos e amo mais ainda o Vinicus de Moraes. Sou mesmo assim, compartilho com amigos o que tenho de melhor... Outro abraço!

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  3. Que bom vc socializar tal conhecimentos! Adorei aprender sobre sonetos!
    bjs companheira de inspiração! :)

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  4. Que Nesse natal, possamos rever o nosso passado para melhorar o nosso futuro. Que Deus nos abençoe e brilhe com sua luz perante você, abrindo o caminho até Ele!
    São os votos de J Araújo

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  5. Oi, Yohana! Não precisa agradecer... Vinicius é bom demais da conta. Tem de ser socializado... rsrs
    Um bju

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  6. Oi, Araujo! Deus iluminará, certamente, a todos nós os que cremos na sua luz! Um abraço

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  7. Célia, passei para te desejar um Feliz Ano; e dizer que pretendo contar com sua participação em meus espaços em 2011!

    Bjs

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  8. Excelente!
    Ótima postagem...
    Abraços

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