segunda-feira, março 7

Mulher – Mulheres



Neste dia, 08 de março, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica para, reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio e, cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá, o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma no resto do mundo.
Levem-se em consideração os anos que se passaram desde que foi decidida a comemoração do Dia Internacional da Mulher para darmos suspiros tediosos, ao percebermos o quanto ainda nos falta para conquistarmos o respeito devido ao papel que a mulher desempenha na sociedade. Seja como mãe, companheira, estudante universitária a ocupar a maioria das vagas ou, como profissionais em diversificados meios e setores.
Lamentamos, porém, que nos dias atuais, mesmo com muitas mulheres ocupando espaços, antes só permitido aos homens, sofremos fortes e severas discriminações.
Para muitas pessoas equivocadas, incluindo ai, algumas mulheres, o sucesso profissional do sexo feminino é sinônimo de envolvimento com chefes ou superiores, quando não, atribui-se logo, a algum tipo de falcatrua. Inacreditável!
O pior é que somos discriminadas por nós mesmas. Se, não bastassem alguns homens que tentam a todo custo tirar o nosso mérito, ainda encontramos àquelas que, simplesmente não querem dedicar esforço algum às suas lutas e sonhos pessoais e, passam então, a atribuir o seu fracasso ao sucesso de quem está mais próximo.
Felizmente, muitas mulheres conseguiram se estabelecer, ignorando o retrógrado pensamento machista impregnado em pessoas dos dois sexos de que, a mulher não tem competência para assumir determinados espaços.
Vale, portanto, aqui lembrar que, á despeito da resistência de muitos, mulheres em várias partes do mundo vêm alcançando seus sonhos e galgando posições mais elevadas. E, aqui, ressaltamos, não existe nenhum tipo de competitividade com o sexo masculino, o que existe de fato, é a vontade atrelada à coragem de vencer custe o custar. Levando-se em consideração que a maioria de nós, é responsável pelo sustento direto das nossas famílias.
Mulheres fortes, amáveis, corajosas, guerreiras e além de tudo, éticas e profissionais, merecem sim, receber todos os festejos possíveis e impossíveis no Dia Internacional da Mulher e, em muitos outros dias de suas vidas.

Salvem-se as frágeis mulheres fortes desses “brasis”!


Crônica: Célia Regina Carvalho

domingo, março 6

Tirando as máscaras



Declaramos sempre que a vida é tão curta e por que, vivemos a prolongar dores e sofrimento?
Por que custamos tanto para aprender, que a nossa felicidade deverá ser priorizada, sempre?
Por que será que, quanto mais sofremos, mais nos apegamos às causas do nosso sofrimento?
Diariamente, ouvimos a imprensa divulgar notícias horrendas que envolvem famílias inteiras nas mais distintas e cruéis adversidades.
Porém, quando se busca o aprofundamento dos fatos, a fim de compreender os porquês, deparamo-nos com as mais insatisfatórias das respostas.
Mulheres são assassinadas por seus companheiros, porque não deram um basta ao sofrimento de conviverem com sujeitos violentos. Na maioria dos casos de violência praticados contra mulheres, o agressor é reincidente. Esse é um dos piores fatos, do meu ponto de vista.
Às vezes chego a indignar-me com a condição de impotência que algumas mulheres se colocam diante de determinadas imposições, a violência doméstica é uma delas.
Amores perdidos, sonhos destruídos, lares desfeitos, filhos e filhas traumatizados, gerações inteiras comprometidas e o que vemos são máscaras e maquiagens acobertando verdadeiros celeiros de violência.
Meninos e meninas que buscam nas mais diversas faces da violência, uma maneira de vingarem-se por seus infortúnios familiares.
Na busca de resolverem seus traumas pelo viés da violência, usam drogas, prostituição, gravidez indesejada, evasão escolar, vandalismos, agressões e até assassinatos. Aquela situação que algum omisso social classificava de briga de marido e mulher, por isso, não deveria “meter sua colher”, agora, virou problema dos governos.
Esquinas recheadas de garotas e garotos de programas, orfanatos e creches lotados de recém-nascidos. A justiça liberando adolescentes criminosos porque as cadeias públicas brasileiras não têm nenhuma capacidade para recebê-los e, agora, todos os defensores dos direitos humanos buscam um responsável, é mais fácil culpar o estado.
Óbvio que o estado tem também a sua parcela de culpa, por não assumir a sua responsabilidade, por exemplo, abrindo Juizados Especiais para Mulheres Vitimas da Violência Doméstica. Em alguns municípios brasileiros temos Delegacias de Apoio à Mulher, mas faltam juizados especiais. Essa culpa podemos atribuir ao estado!
Contudo, há que se lembrar das nossas responsabilidades pessoais enquanto mulheres, mães, homens e pais e, do quanto poderemos contribuir com o equilíbrio da sociedade, quando cumprirmos os nossos papéis, inclusive o de garantirmos a nossa paz, tranqüilidade e acima de tudo, a nossa felicidade.
Com propriedade posso afirmar que, decidir-se por uma atitude que mude totalmente os rumos da sua vida não é fácil, todavia, também com a autoridade que me foi concedida por meio de experiência pessoal (e, intransferível) vivida, é absolutamente possível reverter qualquer quadro de aprisionamento circunstancial.
Posso afirmar que é muito mais fácil sair das garras da violência, do que permanecer apegado a ela. Não somente pela mazelas do presente, mas, sobretudo pelas consequências futuras.
Vale à pena preferir o desprezo ao orgulho e assumir que precisa mudar de direção, a preterir a sua felicidade e da sua família e “de quebra” contribuir com a desestabilização da sociedade em diversos setores.
Tire a máscara que acoberta a Violência contra Mulheres. Pense nisso!

Crônica: Célia Regina Carvalho

sábado, março 5

A vida é mesmo assim




A vida é mesmo assim, cheia de novidades. Ora agradáveis, ora desagradabilíssimas.
Coisas que você jamais imaginou querer ou fazer na vida passam a ser prioridades.
Quer sejam questões simples ou complexas, vez por outra, nos flagramos fazendo exatamente aquilo que condenamos nas outras pessoas a vida inteira.
Essas novidades chegam de maneira tão sutil, que quando menos percebemos, já estamos encurralados. Tipos de roupas e sapatos, amizades, trabalho, relacionamentos amorosos, relações políticos sociais, enfim, a verdade é que somos capazes de nos surpreender naquilo que jamais imaginávamos.
Isso, não serve apenas para questões banais, serve também para assuntos importantes, incluindo, relacionamentos amorosos.
Quando casada com o pai dos meus filhos e filhas, entendia  amá-lo tanto que jamais, nem a “vaca tossindo” eu seria capaz de me apaixonar outra vez. Não tratava da minha capacidade de amar, mas, de certo, da intimidade que existia entre nós, ou simplesmente em conseqüência da minha pouca idade (26 anos), eu não sabia ainda, do quanto somos capazes de nos reinventarmos.
A verdade é que aquela menina-mulher que tinha o entendimento que homem só um, que casamento duraria até o fim dos meus dias, passou a entender que uma só é a vida. Depois dessa, desconheço o que virá, portanto, preciso mesmo é respeitar meus limites nessa existência. Cada um deles.
Preciso perceber quando não mais suportar a dor e, quando a tristeza não couber  mais em meu peito. Tenho de intuir quando uma determinada tarefa chega ao fim,  quer seja na vida profissional ou amorosa.
Relações amorosas não podem ser comparadas a concursos públicos. Ninguém pode pretender um cargo vitalício na vida de outrem sem que o outro o convide, permita e aceite de bom grado.
Não tive muitos relacionamentos, na verdade foram poucos, mas, suficientes para me fazerem entender determinadas verdades, para mim, absolutamente aceitáveis.
Estou a viver no momento, o melhor de todos os meus relacionamentos amorosos. Não me recordo se já fui feliz assim, até mesmo em outra vida, porém, a maturidade me dá a clareza de que posso ampliar a capacidade de amar o quanto queira. Não importa se hoje ou daqui a mais 50 anos, sei que a vida me dará sempre a oportunidade de ser feliz, mesmo que para isso tenha de quebrar paradigmas, restabelecer conceitos, inventar novos amores  e até me vestir de Chacrinha e dançar o rebolletion. 
De uma coisa estou certa, estarei sempre de malas prontas para as novidades todas que a vida quiser me apresentar. 
É que...
"Para viver o que vale mesmo é ser feliz, o resto a gente inventa".

Categoria: Crônica
Autor (a): Célia Regina Carvalho


sábado, fevereiro 19

Atitudes de Águia





Sabe aqueles momentos dolorosos em que parece que todos querem lhe tirar o sangue e os sacrifícios são tantos que parecem insuportáveis?
Geralmente nestes momentos, quando parece que não iremos mais aguentar começamos a nos perguntar sobre o porquê de tanto sofrimento, ou o porquê de tantas dificuldades.

Se você já passou ou está passando por estas perguntas, vou responder a essa pergunta com outra pergunta:

Você sabe por que a águia é considerada um animal nobre e símbolo de sucesso?

A águia é uma ave que está sempre voando em altas altitudes, nunca se viu uma águia rastejando no solo, com visão privilegiada é uma caçadora nata e sempre ataca sua presa num voo rápido e certeiro em alta velocidade. Quando vai caçar a águia desce imensas alturas em um voo rasante de alta velocidade e apesar disso nunca erra seu alvo. Ela não se contenta em comer restos e muito menos em procurar seu alimento varrendo o chão. A águia caça alimento vivo e fresco com a precisão de um míssil. Possui visão aguçada e garras afiadas para ir à busca do que quiser comer.

A águia é um dos animais que possuem mais longevidade, sua vida média é de aproximadamente 70 anos, porém, até para morrer a águia se porta com nobreza, pois jamais se viu um cadáver dessa ave no chão. Quando ela percebe que chegou o seu fim, ela voa o mais alto que pode, procura o pico mais alto que possa alcançar e lá fica até morrer.

Por isso essa ave sempre é associada com imagens de líderes vencedores e campeões. Todos querem ser águias, todos se impressionam com a nobreza, o porte e a beleza dessa caçadora vencedora.

Mas o que poucos sabem, é que a águia quando atinge a metade de sua vida tem que tomar uma decisão muito difícil, algo que poucos seres vivos estariam dispostos a fazer.

Por volta dos 35 anos de idade suas penas se tornam pesadas pela gordura do seu corpo, suas garras começam a ficar fracas e seu bico pouco afiado.

Então a águia é obrigada a tomar a decisão mais difícil de sua vida: ou ela para de voar, se sujeita a ser uma simples ave que vive no chão, alimentando-se de restos, migalhas, lixo, e morre, ou ela passa pelo processo que somente as outras “águias” suportaram passar.

A difícil decisão então é tomada e ela se retira para um lugar bem alto e lá ela própria passa a arrancar todas as suas penas, em seguida ela arranca sua unhas e depois passa a bater com seu bico em uma pedra até que ele também caia.

Esse processo de auto sacrifício é extremamente solitário e requer muita coragem da águia, pois lhe gera muito sofrimento, porém, após algumas semanas de dor, novas penas nascem, garras novas e mais afiadas novamente crescem e também o seu bico se regenera tornando-se mais afiado do que nunca para a caça.

Depois de alguns meses de dor, é assim que a águia novamente ressurge pronta para mais 35 anos de caçadas, de voos altas, totalmente altiva, livre e independente, apta a viver somente em grandes altitudes e a ser um dos animais de maior porte de nobreza na natureza, símbolo de sucesso, de poder e de respeito.

A história da águia serve para mostrar que muitas pessoas admiram e invejam líderes e vencedores que alcançam altos postos, alcançam grandes realizações, grandes sucessos na sua vida pessoal ou profissional, todos querem ser como as pessoas que se destacam no mundo dos esportes, no mundo das artes, no mundo dos negócios, e todas as demais esferas da vida humana.

Todos querem ser águias, mas poucos têm a coragem e a ousadia de pensarem como águias, de tomarem a decisão de águias e de se sacrificarem como águias.

Então, se por causa de seus sonhos, ou de um ideal, ou de um projeto, você está passando por situações que parece que não vai suportar, se está passando por momentos dolorosos em que parece que estão lhe arrancando as penas, as garras, o seu sangue... Se estiver solitário e isolado... Se isto está lhe acontecendo, é porque você é ÁGUIA, e está passando pelo sacrifício da águia.

Isso significa que você nasceu pra ser grande, você nasceu pra ser vencedor e pra fazer a diferença, então suporte o “sacrifício da águia” altivo, de cabeça erguida, com coragem, porte-se como águia e não desista de seus sonhos, provavelmente você está prestes a voar muito alto, como só as ÁGUIAS podem fazer!

Porém as pessoas perguntam por que algumas pessoas têm sucesso e outras não, embora todos queiram alcançar seus objetivos.

Utilizei a história da águia para mostrar que a grande realidade é que poucos têm conseguido realizar seus sonhos, pois a maioria faz o que todo mundo faz e apenas uma minoria procura fazer o sacrifício necessário para ser grande e voar alto. Fazer sacrifícios geralmente é interpretado como algo doloroso demais e uma grande loucura ou perda de tempo para a maioria das pessoas, porém é um processo de aprendizado e aperfeiçoamento que todos os grandes entre os grandes costumam suportar. Observe que a águia não voa em bandos e não faz o quê a maioria dos animais faz. A águia voa sozinha, tem qualidades, resultados e vantagens que mais nenhum animal tem, mas paga o preço necessário para isso.

Por isso é que poucos têm conseguido realizar seus sonhos “grandes”, pois a maioria faz o que todo mundo faz e apenas uma minoria aceita fazer o “sacrifício da águia” para ser grande e voar alto. Fazer sacrifícios geralmente é interpretado como algo doloroso demais e uma grande loucura ou perda de tempo para a maioria das pessoas, porém é um processo de aprendizado e aperfeiçoamento que todos os grandes entre os grandes costumam suportar.

Se isto está lhe acontecendo, Desconfie... Provavelmente você é ÁGUIA, então porte-se como águia e voe muito alto como só as ÁGUIAS podem fazer!

Tenha um Bom Dia HOJE
 
Por Andréia Damasceno

Direções diversificadas


 
"- Você poderia me dizer, por favor, qual  caminho devo seguir a partir daqui?", perguntou Alice no País das Maravilhas. 
 - Isso, depende muito, de onde você quer chegar ", disse o Gato de Cheshire
Meme de Mylla

quinta-feira, fevereiro 17

Bienvenue, Davi!



Entra Davi
Pode entrar, homem, que a casa é sua
Mesmo modesta
Com tramelas no lugar das fechaduras
Pote em vez de geladeiras
Moringas fazendo as vezes de jarro

A comida será servida como você mais gosta
Num vasilhame feito de tecido natural
Eternamente reciclável

No começo vai dar trabalho
Pra você e pra portadora-depositária do alimento
Seu esforço, nem o dela, serão vãos
Porque jorrará com fartura a bebida
Mais forte que o prato de feijão com farinha e carne seca
Mais saudável que qualquer grão já cultivado pela humanidade

Vai firme, Davi!
O resmungo da sua mãe é de satisfação
Ao vê-lo plenamente satisfeito
Para dali a duas horas pedi mais
Ela resmungará: de novo filho!
Mas não será de má vontade
Terá disposição para lhe atender sempre
Quantas vezes você reclamar a sua presença

A sua alegria é a alegria dela
A sua saúde é a saúde dela
O seu choro é o choro dela
Da mesma forma
A sua tristeza é a tristeza dela
A sua infelicidade é a infelicidade dela

Você que é um vencedor no nascedouro
Que tem uma família que lhe acolhe com tanta alegria
Que luta o tempo todo para garantir a sua felicidade
Que tudo fará para contornar os momentos de tristeza que você enfrentará com certeza, pois que a vida é assim
Terá toda uma vida para contribuir com as pessoas que lhe são tão caras e que lhe recebem com tanta delicadeza e atenção.
Mas não abusa muito, não, homenzinho!
Paciência tem limite.
Seja bem vindo ao mundo dos mortais
Saúde e paz durante toda a sua existência
O resto a gente faz, porque tudo o mais depende de nós.

Um beijo no coração de Sara e um cheiro na sua bochecha.

Autor: Paschoal de Souza

domingo, fevereiro 13

Valor às pessoas


Nesta vida e nas próximas vidas que (se) virão, o que vale mesmo a pena é o respeito às pessoas.
Especialmente àquelas que fazem parte das nossas vidas de maneira direta. Tipo mãe, pai, irmãos, irmãs, filhos, filhas, tias e tias, primos e primas, marido, esposa e, alguns cunhados ou cunhadas. Cunhados (as) são aqueles parentes inventados, casados com nossas irmãs (os), mas, que de alguma maneira passam a fazer parte das nossas vidas.
Temos em nossa família, cunhados que podemos classificar de bacanas! As cunhadas são mais discretas, o que não impede de as chamarmos de ótimas. Aliás, são maravilhosas.
Nos últimos dias, a nossa família cresceu. Recebemos a presença de Davi Kenaidy. O nosso mais recente rebento. Davi é filho da nossa irmã mais nova, a Sara.  Em nome do amor que sinto por Sara, dei esse nome para uma das minhas filhas, uma que veio da gestação gemelar. A primeira Sarah Juliana, a segunda, Jéssica Vitória.
Dentre muitas alegrias que Davi trouxe à nossa família, a maior delas, para mim, particularmente, foi a de ter participado do seu nascimento. Desde o início da relação dos seus pais à gravidez  e, até ao parto.
Estive presente durante todas as contrações de Sara, até a sala de parto. Segurei sua mão e com palavras encorajadoras, ajudei-a parir Davi. Posso afirmar que foi a maior de todas as emoções felizes já vividas por mim, a partir da vida de outra pessoa.
Claro que receber meus filhos e filhas, foram sensações que classifico como indescritíveis. Porém, o nascimento do Davi teve um quê de emoção, muito ligado ao fato de ter participado de toda a despedida (muito sofrida) do meu querido pai. Desde quando fomos informados da sua doença ao seu internamento e últimos momentos no hospital.
Na saída de casa para o hospital, meu pai segurava minha mão fortemente, olhava fixamente nos meus olhos, como se procurasse algum tipo de conforto. Durante todo o seu internamento, quando inconsciente, não reconhecia minha mãe, sua eterna companheira, nem mesmo seu irmão mais querido, chamava por meu nome. Quando recobrou sua consciência por alguns dias, queria minha mão presa à sua e, insistia que estivesse presente. Da minha parte, não resta dúvida que iria com ele, aonde quer que me pedisse. Porém, creio que há tempo para todas as coisas e, aquele não era o meu momento. Deixei meu pai partir!
Às vezes sinto tanto a sua falta que parece, vou explodir de saudade. Respiro e repito para mim mesma, que meu pai jamais se ausentará da minha vida!
Despedir-se do meu pai, foi sem dúvida, à maior de todas as provações que tive de passar.
De volta ao nascimento de Davi Kenaidy, a cada dia que passa somente uma certeza me invade a alma: essa vida só terá valor se eu puder participar de cada um dos momentos das pessoas amadas. Quer sejam momentos de dor ou de felicidade, essa vida e as que virão só terão valor se eu puder estar presente!
Faltam-me palavras para expressar o quanto sou feliz, por me sentir valorizada por duas pessoas absolutas e profundamente amadas por mim, nos seus mais importantes momentos.  Respectivamente, meu pai na sua partida quando fortemente segurou a minha mão e, Sara Virgínia quando trouxe à vida seu primogênito Davi e, em momento algum dispensou a minha mão para apertar até  que viesse o alivio à sua dor.

Categoria: Crônica
Autor (a): Célia Regina Carvalho